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sábado, 29 de setembro de 2012

A Ética de Helena Blavatsky (1ª parte)


Numa conferência internacional realizada na Grécia no passado mês de Julho, intitulada “Tradições Esotéricas no Mundo Antigo e Moderno”, assinalam-se várias palestras como sendo de especial interesse, sendo que uma delas, da responsabilidade de Brett Forray, foi já abordada no post sobre “O Caso Judge”.

Podemos ainda mencionar a comunicação não presencial de K. Paul Johnson sobre a relação entre a Sociedade Teosófica (ST) e a Irmandade Hermética de Luxor (a quem esteve intimamente ligado Max Théon).

Max Théon

Há uns anos, K. Paul Johnson concebeu uma teoria pouco fundamentada para identificar os mestres próximos de Helena Blavatsky, gerando forte oposição de Daniel Caldwell e de David Pratt. Apesar de disparatada, devido ao excesso de suposições sem qualquer base, esta comunicação sobre a ligação entre a ST e Irmandade de Luxor é interessante e tal como escreveu Blavatsky, as ideias devem ficar de pé ou não, consoante o seu mérito e sou de opinião que ninguém deve ser proscrito por apresentar uma tese menos feliz.

Marc Demarest, que tem à sua guarda o material de Emma Hardinge Britten, uma inglesa que esteve muito próxima da ST nos seus primórdios até se incompatibilizar com Blavatsky, falou sobre Godfrey Higgins, o autor de Anacalypsis, um livro obscuro que é citado por Blavatsky nas suas obras e em relação ao qual Blavatsky confirma muitas referências. Na altura, o jornal “New York Herald” escreveu na sua crítica a “Ísis sem Véu” que este livro seria o suplemento a Anacalypsis. O título da palestra de Marc Demarest é o “O Ocultista de Sofá: Higgins, Anacalypsis e o Ocultismo Moderno” e é também bastante interessante.

Capa de Anacalypsis


Mas o tema deste post será a conferência de April Hejka-Ekins sobre como está definida a ética nos escritos de Helena Blavatsky.


Mais para o final da sua vida e com certeza desiludida com o comportamento de muitos teosofistas, HPB começou a carregar um pouco mais a nota sobre a necessidade de um comportamento e acção adequadas por parte dos seres humanos e em particular daqueles que se comprometiam a ser altruístas e a trabalhar para que a humanidade se tornasse mais fraterna.

Em termos do que sucedeu na altura, o esforço de HPB foi de certo modo inglório, pois acabaria por morrer a 8 de Maio de 1891, no que por exemplo Alice Leighton Cleather interpreta como resultado do falhanço dos seus alunos mais próximos (que constituam o Grupo Interno da Secção Esotérica) em praticar o altruísmo. Em “H.P. Blavatsky as I Knew Her” (“H.P. Blavatsky tal como a conheci”), que foi publicado em 1923, Cleather reconhece que havia competição e ciúmes entre os poucos membros daquele Grupo. Esperava-se que HPB ficasse entre os vivos mais alguns anos pelo menos até o encerramento do ciclo que terminaria em 1897/98.

Não obstante, nestes 121 anos que passaram desde a morte de HPB muitos puderam beneficiar destes ensinamentos mais práticos deixados pela “Velha Senhora”. Os livros “A Chave para a Teosofia” e “A Voz do Silêncio”, bem como algumas das instruções de cariz privado dadas aos seus alunos (que entretanto foram publicadas por exemplo em “The Esoteric Papers of Madame Blavatsky”) são bastante ricos em ensinamentos sobre como ultrapassar as armadilhas que derivam das deficiências, ou melhor insuficiências do nosso “Eu Inferior”.



Mas vejamos de forma breve, o que diz April Hejka-Ekins. Esta teosofista começa por referir que a ética blavatskiana faz a ponte entre a teoria (conhecimento) e a prática, sendo essencial para a transformação pessoal. No fundo ela é a base para trazer para a nossa vida quotidiana a sabedoria de viver.

Ela usa a metáfora que a vida espiritual é como um um banco de 3 pernas: conhecimento, prática e ética. Esta última faz a ponte entre as duas primeiras.

Para Hejka-Ekins ética é a forma como agimos uns para com os outros, sendo que apresenta 4 dimensões: mundivisão, código moral, virtude e motivação.

Esta teosofista refere que todas as pessoas têm uma mundivisão, umas são inconscientes disso, outras não, e é com base nessa mundivisão que vão agir.

A partir daí desenvolvem um código moral (valores e princípios) baseado no que acreditam. Sem honestidade e confiança não há base para o humanismo. A igualdade de tratamento, coragem e preocupação por todos os seres são a rocha básica dos relacionamentos. Uma regra de ouro é tratar os outros como gostaríamos de ser tratados.

A palestrante fala também na virtude que relaciona com o cultivo das nossas qualidades e com o balanceamento dos pontos fortes e fracos da nossa personalidade. O desenvolvimento da virtude exige esforço.

Enquanto que as duas dimensões acima referidas são basicamente do foro cognitivo, esta terceira já tem a ver essencialmente com o carácter humano.

A existência de modelos de virtude é bastante importante, pois inspiram as pessoas e ajudam a desenvolver a virtude em cada um de nós.

Ela dá exemplos sobre no que consiste o balanceamento acima referido. Demasiada coragem pode levar a imprudência. Ao invés, pouca é cobardia. O excesso de virtude pode levar a um exagero. São citados como exemplos Gandhi, que era muito duro para com a sua família, e também a Madre Teresa de Calcutá que tinha uma autoridade excessiva para com aqueles que trabalhavam com ela.

Gandhi


Para além da mundivisão, dos valores e do sentido de virtude, a motivação é outro dos factores que influi na ética do ser humano, sendo necessário perceber o que nos move.

Hejka-Ekins, na segunda metade da sua palestra cita directamente Blavatsky e serão esses excertos que veremos na próxima semana, na 2ª parte de “ A ética de HPB”.

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