Follow @luaem_escorpiao
Mostrar mensagens com a etiqueta Mitch Horowitz. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Mitch Horowitz. Mostrar todas as mensagens

sábado, 28 de setembro de 2013

“Best of” da Conferência Internacional de Teosofia

Realizou-se nos passados dias 8 a 11 de agosto em Nova Iorque a 15ª Conferência Internacional de Teosofia (ITC). Já antes daquela data, o Lua em Escorpião tinha feito divulgação deste importante encontro entre teosofistas das diferentes tradições.

Passado cerca de um mês e meio desde o final da Conferência, decidi elaborar este post identificando aquelas apresentações que considerei como mais interessantes. É obviamente uma escolha pessoal, baseada naturalmente nas minhas preferências. O website da ITC tem disponíveis praticamente todas as intervenções mencionadas no programa da Conferência, que podem ser acedidas aqui e aqui.

No dia 7, a Sociedade Teosófica-Blavatsky House, que tem sede em Haia, na Holanda, e que se constitui como um dos grupos mais ativos em todo o mundo na difusão da Teosofia, fez uma espécie de pré-conferência, com Herman Vermeulen a oferecer aos ouvintes uma excelente introdução à Teosofia. Confira isso mesmo nos primeiros 50 minutos deste vídeo. A palestra seguinte também é de interesse, debruçando-se sobre as 7 joias de sabedoria.

Ken Small  (que também falou na ITC) e Herman C. Vermeulen


Sala Multifuncional

No dia 8, o primeiro dia propriamente dito da Conferência, vale a pena assistir à intervenção de Garrett Riegg, (presidente da ITC), que com uma nota pessoal faz uma excelente introdução prática ao tema da compaixão (o assunto central da conferência deste ano) (ver vídeo a partir do minuto 8).

Depois da intervenção de Riegg destaco a extraordinária palestra sobre a "Nova Iorque Oculta" de Mitch Horowitz, o editor-chefe da divisão dedicada a literatura metafísica da editora Penguin. A comunicação, que decorreu já no dia 9, inclui inúmeros detalhes e factos históricos que são o resultado da liberdade religiosa que os pais fundadores quiseram introduzir na jovem nação norte-americana. As palestras que se seguiram sobre “Sabedoria e Compaixão” (por Nandini Iyer) e sobre o Bhagavad-Gitâ (por Vicky Prinz) também valem a pena, tal como a curiosa história sobre como o Jan Nicolaas Kind descobriu a Teosofia (aqui a partir do minuto 7).



A atração mais sonante da ITC era Dean Radin e o conhecido cientista não deixou os seus créditos por mãos alheias. Tendo como pano de fundo o seu mais recente livro “Supernormal: Science, Yoga, And The Evidence For Extraordinary Psychic Abilities”, Radin na sua comunicação mostra os estudos científicos que comprovam  que algumas capacidades psíquicas como a telepatia não são fantasia de alguns crédulos. Para quem tem interesse na ligação entre ciência a teosofia este vídeo é de visionamento "obrigatório".



No dia 10 de agosto, o meu destaque vai para a comunicação de Johanna Vermeulen intitulada “A criança reflete a raça”, que fez uma interpretação muito interessante dos ensinamentos esotéricos, com respeito à relação entre a evolução das raças na presente ronda e a evolução do ser humano atual, nas suas diferentes etapas de desenvolvimento. Vermeulen introduziu elementos da biologia e psicologia, o que enriqueceu bastante a apresentação, que pode ser vista nesta página (nº 24 a partir da 1h 57m).

Johanna Vermeulen

Umas horas antes de Johanna Vermeulen, falou uma cara bem conhecida do meio teosófico, Michael Gomes, que já publicou vários livros, o último dos quais uma versão bastante resumida da Doutrina Secreta, que inclusive já foi traduzida para português. A intervenção bastante interessante e bem-humorada de Gomes gira em torno de uma série de pequenas historietas derivadas da tradição espiritual oriental complementadas com referências à “Voz do Silêncio” e a outros escritos de HPB, com o objetivo de refletir sobre o tema “Pois a mente é como um espelho” (nº25, aos 49 min). As suas observações sobre a obra de Shantideva "Bodhicharyavatarya", que se debruça sobre os paramitas, são bastante oportunas.

Michael Gomes

A última comunicação nesta sala (já no domingo, dia 11) foi sobre comunicação não-violenta e deveria ser visionada por um grupo de teosofistas que insiste em propagar os seus ideais de forma impositiva, tentando criar impacto através de uma postura denunciadora e persecutória. O vídeo está aqui.


Sala da Biblioteca e sala da projeção

Várias das palestras decorreram em simultâneo e felizmente, além de podermos visionar as realizadas na sala multifuncional, também as que tiveram lugar na sala da biblioteca e na sala da projeção podem ser acedidas através do site livestream.

Assim no primeiro dia de conferências nesta sala (dia 9), o destaque vai para a intervenção de Ed Abdill.
Muito conhecido pela sua capacidade oratória e por prender a atenção dos ouvintes (nem precisa de slides…), ele tenta nesta exposição (a partir da 1h31m) explicar a constituição setenária do homem com exemplos práticos. Abdill confessa que o seu objetivo em todos estes anos foi transpor os princípios mais abstratos da teosofia para linguagem mais acessível e realmente é espantoso como o consegue (neste video abaixo ele fala sobre a sua relação pessoal com a teosofia). Na longa intervenção do teosofista norte-americano ainda houve tempo para falar da escada de ouro. Antes da palestra de Abdill, Ruth Richards, fez uma espécie de pré-aquecimento para a comunicação de Radin, que decorreria mais tarde noutra sala.

Ed Abdill

No mesmo dia, na parte da tarde, o médico Richard Hiltner (aqui a partir do min.51), praticante de homeopatia, discursou sobre a cura empática. Na sua interessante intervenção Hiltner falou dos elementos na perspetiva ocidental e oriental (ayurveda e medicina tradicional chinesa) e mostrou a aplicação prática da chamada astrologia médica. Este último ponto foi particularmente fascinante.

Richard Hiltner

No dia 10, destaco a apresentação (vídeo nº 37) de Jan Jelle Keppler sobre o reformador do lamaísmo Tsong Kha Pa, que fundou a escola Gelugpa. Não sendo uma exposição muito amigável para o ouvinte – Keppler leu durante 45 minutos partes do seu artigo sobre Tsong Kha Pa – contém elementos muito interessantes sobre a vida daquele famoso mestre do budismo tibetano.

Jan Jelle Keppler

Muitas das intervenções ficaram de fora desta escolha, não devendo ser feito qualquer juízo de valor sobre o seu interesse ou qualidade. Como referi esta seleção tem apenas a ver com preferências pessoais e nada mais. Encorajo aqueles que têm facilidade em entender a língua inglesa, a verem a conferência completa, seguindo os links e o programa fornecidos no início deste post.

No próximo ano, a conferência decorrerá em Naarden, na Holanda, no International Theosophical Center, em meados de agosto.

sábado, 14 de julho de 2012

Conhecendo o astral (1ª parte)

Como já tive oportunidade de referir anteriormente, o blog “Theosophy Watch” é uma das páginas de internet mais fascinantes que se podem encontrar, mesmo para aqueles que não são teosofistas. Mais do que uma vez por semana, Odin Townley, teosofista residente em Nova Iorque, faz-nos o grande favor de actualizar as ligações da ciência (e não só) com as Verdades Eternas expressas por Helena Blavatsky e os seus Mestres. Como sabe quem leu “A Doutrina Secreta”, Blavatsky fez questão de usar a ciência do seu tempo para fundamentar várias da passagem da sua magnum opus. Ora, passados quase 125 anos sobre a publicação da edição original, e com tanto desenvolvimento científico entretanto havido, o blog Theosophy Watch é uma ferramenta imprescindível para a propagação da Teosofia e para a percepção do seu inestimável valor (tal como a página Exploring Theosophy de David Pratt, mencionada no post anterior).


Solicitei a Townley autorização para tradução de um dos últimos posts intitulado “Conhecendo o astral”, que achei particularmente brilhante. Aqui vai a primeira das três partes:


Conhecendo o astral


A paisagem surreal do livro de Lewis Carroll, “Alice do outro lado do espelho” [NT: No Brasil, o título é “Alice no país do espelho”] faz com que Alice se questione como é o mundo do outro lado do espelho.
Para surpresa dela, Alice é capaz de passar para um fantástico mundo astral e experienciar uma existência alternativa.


Uma Alice intrigada descobre um livro com poesia chamado “Jabberwocky” que ela só consegue ler em frente a um espelho.

Para os estudantes de Teosofia, o artifício da imaginação de Carroll é uma lembrança inequívoca da “luz astral” falada no ocultismo, uma unidade de armazenamento universal onde as imagens originais de todas as coisas são vistas ao contrário das suas projecções visíveis no nosso plano terrestre.

Em 1871, a mediunidade e as mesas girantes estavam na moda, como descreve Mitch Horowitz no seu livro recente, “Occult America”. Compreensivelmente, a sequela de “Alice no País das Maravilhas” escrita por Carroll, foi muito popular na época.

A clarividência e os poderes psíquicos sempre fascinaram o público em geral. Mas, na altura, tal como agora, isso era considerado algo sem sentido pelos cientistas da corrente dominante.

“Às vezes, eu acreditei em seis coisas impossíveis antes do pequeno-almoço” confidencia a Rainha Branca a Alice.


Quando antes interessavam apenas aos caçadores de fantasmas e à ridicularizada ciência da parapsicologia, “os cinco grandes”: precognição, telepatia, clarividência, psicocinese e cura (conhecidas no seu conjunto como “psi”), são agora alvo de atenção pelo grosso da comunidade ligada à psicologia e à neurociência.

América do Oculto


Tocou vidas tão díspares como as de Frederick Douglass [NT: abolicionista e escritor norte-americano], Franklin Roosevelt e Mary Todd Lincoln – que uma vez convenceu o seu marido, Abe [NT:presidente norte-americano durante o período da Guerra Civil], a acolher uma sessão na Casa Branca. Estes norte-americanos estavam entre as figuras famosas cujos caminhos se entrelançaram com o movimento místico e esotérico amplamente conhecido como do oculto.




“Algo desconhecido”


Renée Scheltema

A realizadora holandesa Renée Scheltema lançou um documentário sobre parapsicologia.  O seu colega e pesquisador de assuntos psíquicos desde há largo tempo, Charles Tart, autor de “The End of Materialism” fez uma crítica ao filme:



“Eu finalmente vi o resultado dos esforços de Renée, um DVD do seu esforço talentoso em “Something Unknown is Doing We Don´t Know What” [NT:Algo desconhecido está a fazer não sabemos o quê] e estou muito satisfeito.”

“Este é provavelmente o melhor filme educativo sobre parapsicologia e suas implicações já alguma vez feito. Se querem ver e ouvir muitos dos cientistas mais criativos a pesquisarem nesta área, e descobrirem o que sabemos, então eu não poderia recomendar este filme de forma mais enfática!”



Vendo a dobrar




Localizada nos terrenos do Castelo de Guildford num jardim amurado por trás de um relvado de bowling, a escultura de Alice está perto da casa que Lewis Carroll arrendou, e foi criada pelo escultor Jeanne Argent.

Lewis Carroll (1832-1898) foi na vida real professor de Matemática de Oxford (1855-1881), o Reverendo Charles Lutwidge Dodgson, ou para alguns dos seus jovens amigos que o conheceram pessoalmente, Sr. Dodgson.

Estátua de Alice

Na próxima semana será carregada a 2ª parte de "Conhecendo o astral."