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sábado, 7 de setembro de 2013

Mitos e verdades sobre o Conde de Saint-Germain (9ª parte)

Continuamos com a tradução (adaptada) do texto “O Conde deSt. Germain” de David Pratt.

12. Cagliostro e Mesmer 

Saint-Germain, Cagliostro e Mesmer foram todos mensageiros da Fraternidade Himalaia durante o séc. XVIII, assim como H.P.Blavatsky foi sua mensageira no séc. XIX. KH diz que Saint-Germain e Cagliostro foram ambos “cavalheiros da mais alta educação e das mais elevadas realizações, e presumivelmente europeus” mas que eram olhados na altura e posteriormente como “impostores, cúmplices, trapaceiros” [Cartas dos Mahatmas para A.P. Sinnett, vol.II, carta nº92, p.85]. Ele condena a “presunção e obscurecimento mental” dos académicos que “perseguiram Mesmer e que classificaram Saint-Germain como um impostor”. [op.cit, vol.I, Carta XX, p.132].

Nascido na Alemanha em 1734, Franz Anton Mesmer estudou na Universidade de Viena e tornou-se doutor em medicina em 1766. Em 1773 ele começou a tratar pacientes com ímanes, mas passados alguns anos deixou de usar ímanes, acreditando que as curas envolviam a transferência de um fluido subtil ou força vital, que ele chamava de magnetismo animal. Em 1777 ele deixou Viena e no ano seguinte montou o seu consultório em Paris. A sua fama cresceu rapidamente e passados alguns anos Mesmer estava tratando vários milhares de pacientes ao ano e com grande sucesso.

O seu sucesso enfureceu a comunidade médica, e como a sua clientela provinha da classe média-alta ele foi acusado de lhes extrair dinheiro por explorar a sua ingenuidade. Em 1784 uma comissão composta por membros da Faculdade Francesa de Medicina e da Academia Real das Ciências declarou que as suas curas eram inteiramente atribuídas à imaginação dos seus pacientes, isto apesar de se terem dado ao trabalho de entrevistar Mesmer durante a sua investigação. Ele faleceu em 1815, ressentido do facto da sua descoberta não ter sido oficialmente reconhecida e por alguns dos seus discípulos terem distorcido os seus ensinamentos. A prática comum de fazer equivaler o mesmerismo ao hipnotismo é um grande erro.

Helena Blavatsky descreve Mesmer da seguinte forma: 

“Famoso médico que redescobriu e aplicou praticamente ao homem aquele fluido magnético, que foi designado pelo nome de “magnetismo animal” e, desde então, “mesmerismo”.(…) Era membro iniciado da Fraternidade dos Fratres Lucis [Irmãos da Luz] e de Lukshoor (ou Luxor) ou o ramo egípcio desta última. O Conselho de Luxor elegeu-o – segundo as ordens da “Grande Fraternidade”- para atuar, no séc. XVIII, como explorador comum, enviado no último quarto de cada século para instruir na ciência oculta uma pequena parte das nações ocidentais. O Conde de Saint-Germain, neste  caso, inspecionou o desenrolar dos acontecimentos e, mais tarde, Cagliostro foi comissionado para prestar seu concurso. Porém, tendo cometido uma série de erros mais ou menos fatais, foi destituído do seu cargo. Mesmer fundou a “Ordem da Harmonia Universal” em 1783, na qual, como era de se supor, ensinava-se apenas o magnetismo animal, porém, na realidade, expunham-se as doutrinas de Hipócrates, os métodos dos antigos Asclepieia, os Templos de cura e, muitas outras ciências ocultas. [Glossário Teosófico, p.372].

Franz Anton Mesmer (retirado de
marilynkaydennis.files.wordpress.com)


Não há provas seguras que Mesmer tivesse conhecido Saint-Germain.

Cagliostro (pronuncia-se Calli-ostro) foi um ocultista, maçon, filantropo e curador. HPB chama-o de “famoso adepto” cuja “verdadeira história ninguém nunca contou”.

“Sua sorte foi aquela de todo ser humano que dá provas de saber mais do que os seus semelhantes. Foi apedrejado até à morte através de perseguições, calúnias e acusações infames e, apesar disso, era amigo e conselheiro de personagens poderosas de todos os países que visitava. Finalmente, foi processado e sentenciado, em Roma, como herege, e diz-se que morreu durante a sua permanência num calabouço [em 1795]”
Conde Alessandro di Cagliostro (retirado de sil.si.edu)


A inquisição ligou o seu passado a um famoso ladrão nascido na Sicília de nome Giuseppe Balsamo, algo que parece ter sido feito com a intenção de denegrir Cagliostro.

Nos seus relatos pessoais, Cagliostro diz não saber o local do seu nascimento e a identidade dos seus pais. Ele diz que sob o nome de Acharat, passou a sua infância em Medina na Arábia, no palácio do Mufti Salahayn, o líder dos muçulmanos. O seu tutor, Althotas ensinou-lhe botânica, química e outras ciências. 

Althotas disse a Cagliostro que ele tinha sido deixado órfão com três meses de idade e que os seus pais eram Cristãos da classe nobre. Com doze anos, ele acompanhou Althotas a Meca, onde ficou três anos. Ele então viajou para o Egito onde, por volta dos seus dezoito anos, visitou os principais reinos de África e da Ásia.

Em 1766, Cagliostro acompanhou o seu tutor à ilha de Malta onde haveria de assumir o nome de Conde Cagliostro. Quatro anos depois desposaria Seraphina Feliciani, uma devota católica, analfabeta. Viajou por grande parte da Europa, incluindo Portugal, tendo por vezes usado outros nomes. Passava o seu tempo ajudando os pobres, curando os doentes e tendo encontros com pessoas importantes da sociedade, além de desenvolver trabalho maçónico. Parecia ter uma fonte inesgotável de dinheiro.

Ainda no campo da maçonaria, estabeleceu o seu próprio Rito Egípcio e fundou várias lojas de Maçonaria Egípcia, com sucesso variável. Contrariamente aos costumes maçónicos, estas lojas admitiam mulheres. A sua missão era purificar e elevar a Maçonaria e “enxertá-la” com a filosofia Oriental. Sem essa união, dizia Blavatsky “a Maçonaria Ocidental seria um cadáver sem alma”. Por vezes produzia fenómenos ocultos, mas ele percebeu que isto só conduzia a cada vez mais pedidos para mais maravilhas. Há testemunhas que Cagliostro terá produzido ouro mais do que uma vez, graças aos seus conhecimentos de alquimia.

Entre 1780 e 1783 e durante os três anos que passou em Estrasburgo, na Alsácia, a sua casa estava constantemente cercada pelos enfermos e por gente em sofrimento. Ele tratou 15 mil pacientes, dos quais apenas três morreram. Nunca cobrou um tostão e muitas vezes dava dinheiro aos pacientes pobres para que estes pudessem comprar comida e pagar as suas dívidas. Muitos desses casos tinham sido declarados incuráveis pelos médicos da ortodoxia. Cagliostro terá curado casos de gangrena, contudo foi catalogado de charlatão e todos os esforços foram feitos para minar o seu trabalho. Cagliostro preparava os seus próprios medicamentos e elixires e também conhecia o magnetismo animal. Um elemento crucial no seu sucesso era a sua capacidade para instilar esperança e confiança naqueles que tratava.

O seu trabalho inevitavelmente levantava oposição de pessoas, invejosas, gananciosas e sem escrúpulos.

Diz-se que terá sido um discípulo de Saint-Germain, mas não há provas efetivas disso. Entretanto, viu-se envolvido numa intriga palaciana e acabou preso na Bastilha. Mais tarde escreveria uma carta ao povo francês sobre a injustiça de ser detido numa prisão sem grandes provas e apenas por ordem do Rei, o que se diz terá ajudado a espoletar a Revolução Francesa. Deste modo, Cagliostro terá tido um papel mais relevante naquele desfecho do que o próprio Saint-Germain.


Continua na próxima semana…

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