sábado, 28 de Abril de 2012

Hipátia de Alexandria


A morte de Hipátia de Alexandria, marca para alguns historiadores, o princípio do fim da escola neoplatónica. A bela Hipátia (o nome significa “a maior, a mais alta, a mais elevada") viveu entre (por volta de) 355 e  415 da era cristã e o seu brilhantismo no domínio da Matemática e da Filosofia resplandece até aos dias de hoje.

Em 2009, o realizador chileno-espanhol Alejandro Aménabar, lançou o filme “Ágora”, que conta a história de Hipátia de forma parcialmente ficcionada. Rachel Weisz não é na minha opinião totalmente convincente a representar a grande filósofa, faltando-lhe aquele magnetismo e carisma que lhe atribui a história.




Hipátia era filha de Théon, também ele filósofo, astrónomo e matemático, que acabou por contribuir fortemente para o germinar da semente da procura pela sabedoria em Hipátia, que haveria de se deslocar a Atenas para continuar os seus estudos com o líder da escola neoplatónica daquela cidade. Além do desenvolvimento intelectual, também dava prioridade à actividade física, praticando natação, remo e hipismo, entre outras modalidades.

Regressada a Alexandria e beneficiando de magníficos dotes oratórios, foi logo convidada a ensinar, tendo liderado a escola neoplatónica da famosa cidade.

Amónio Saccas iniciou a escola neoplatónica, depois continuada por Plotino, sendo Hipátia uma das suas continuadoras, a par de Jâmblico e Proclo, entre outros. Conforme refere José Manuel Anacleto na sua extensa obra “Alexandria e o Conhecimento Sagrado” (editada em 2008 pelo Centro Lusitano deUnificação Cultural), além do pensamento de Platão, o neoplatonismo contém “elementos da filosofia Pitagórica, Aristotélica e Estóica” e ainda “elementos das tradições religiosas e espirituais da Índia, Caldeia, Pérsia, Síria e até dos Druidas; elementos, em geral, dos Mistérios Egípcios e Gregos”. O livro de Anacleto contém muito mais material sobre esta escola e sobre os seus principais dinamizadores.

Segundo parece Hipátia conhecia e praticava a Teurgia, que é definida no Glossário Teosófico, como “a comunicação com os anjos e espíritos planetários e os meios para atraí-los para Terra”. Esta forma de magia (uma das três para além da magia natural e da Goecia ou magia negra) é desaconselhada pois devido à corrupção no mundo poderá se converter em Goecia. Hipátia era também versada em Geometria, Música e Poesia. A sua fama era tal que era conhecida como “a Filósofa” e as cartas eram-lhe dirigidas apenas com esta indicação.

Mas Hipátia não tinha só admiradores. Com efeito, os seus principais opositores e artífices da sua violentíssima morte foram os agentes de uma instituição que aparecia então com grande pujança, a Igreja. Entre os seus detractores destacava-se  o arcebispo de Alexandria, Cirilo. Apesar de Hipátia saber  que corria grande perigo, continuou ensinando os seus alunos (alguns vinham de distantes paragens), até que um dia um grupos de cristãos fanáticos, a atacou, rasgando-lhe as roupas e com conchas de abalone (um gastrópode), arrancaram-lhe a carne dos ossos. Os seus restos foram queimados e os seus trabalhos destruídos. Suspeita-se que a motivação para o seu assassinato seja de ordem política, pois Hipátia tinha influência junto do governador romano Orestes.

O bispo João de Nikiû, no séc. VII escrevia que Hipátia “era devotada à magia, aos astrolábios e aos instrumentos de música, e seduziu muitas pessoas por meio de ardis satânicos”. Este bispo dizia que ela tinha encantado muitas pessoas incluindo o governador de Alexandria. E assim justifica o seu assassinato às mãos de Pedro, o Leitor e da sua turba de fanáticos.

Resta dizer que Cirilo foi santificado.

Blavatsky menciona Hipátia nos seus escritos, referindo o seu brilhantismo e destino atroz em Ísis sem Véu (vol. III p.224-5, da edição em português).

Sem comentários:

Enviar um comentário